16 de Setembro de 2014

Safe Place. André Pereira e Paula Almeida (Kingpin Books).

Safe Place é um projecto curioso na medida em que parece ser construído a partir de uma ideia modular. Ele pode ser lido como um projecto isolado, mas potencia-se igualmente como episódio de algo maior, que poderá ou não vir a ser desdobrado. Além disso, como todas as obras de autores que se vão formando de modo decisivo e certeiro, ela também pode ser lida em conjunção com os trabalhos anteriores do autor. (Mais)

14 de Setembro de 2014

Artigo na ColdFront: A Kick in the Eye.

Serve o presente post para indicar que a crítica a A Kick in the Eye, que havíamos feito aqui, foi publicada em inglês na ColdFront mag.

Agradecimentos a Nico Vassilakis, pela ajuda nos contactos.

Link directo, aqui.

12 de Setembro de 2014

Colaboração no The Comics Alternative. Entrevista a Karin Kukkonen.

Daremos início a uma nova colaboração internacional, desta feita com The Comics Alternative, um espaço moderado por Derek Royal e Andy Kunka. 

Para já, tratar-se-á de publicar as versões originais das entrevistas conduzidas por email (ou outros modos) aos académicos que temos tido a oportunidade de contactar, mas é possível que possamos vir a escrever material exclusivo.

Desta feita, trata-se da entrevista a Karin Kukkonen, que fizemos a propósito dos  dois livros que havíamos lido dela.

Agradecimentos a todos os envolvidos.




Le muret. Céline Fraipont e Pierre Bailly (Casterman).

A primeira surpresa deste livro são os nomes que surgem na capa. Seguindo há algum tempo, ainda que em silêncio neste espaço, a obra da escritora Fraipont e do artista Bailly sob a forma de um dos melhores títulos da actualidade de banda desenhada infantil, Le petit Poilu (sem matéria verbal, com histórias lineares e simples de seguir, são perfeitas introduções à linguagem da banda desenhada para crianças que ainda não sabem nem ler nem ler banda desenhada), o seu surgimento numa colecção que usualmente versa temáticas e estruturas mais maduras levava de imediato a algum gau de curiosidade. Uma primeira consulta confirmava a diferença de direcção do trabalho de ambos. A sua leitura atenta reservava ainda mais complexidades. (Mais) 

9 de Setembro de 2014

Workshot de Introdução à banda desenhada na OC.

Serve o presente post para anunciar que a segunda fase dos workshots da Oficina do Cego estão desde já anunciados, entre os quais um de introdução à banda desenhada, dado por este vosso criado.

Este breve encontro é dirigido sobretudo a formandos mais jovens a partir dos 12 anos e/ou a pessoas que nunca fizeram banda desenhada ou mesmo nunca desenharam. Não se trata de um curso de desenho, mas de introdução a algumas das estruturas formais necessárias para a criação da banda desenhada. 

Apareçam!

Mais informações, sigam este link.

M. Berthod. Cette beauté qui s'en va (Les Impressions Nouvelles)

No Tratado sobre a origem da linguagem, de 1771, J. G. von Herder propõe uma noção da relação entre a natureza e a civilização (tudo o que é fruto da tarefa do homem) que vai além de uma mera oposição, como o havia sido no caso de Rousseau. Há a um só tempo um grau de identidade e um grau de diferença entre o ser humano e a natureza, e é na conjunção deles que se dá o efeito que dá origem à linguagem e à literatura (e a toda a arte, quando o filósofo fala da Kunstgeschöpf, ou “capacidade para a arte” do homem). O cerne dessa relação é aquilo que Herder chama de Besonnenheit, usualmente traduzido como “clareza de consciência”, a faculdade de separar a impressão sensível da materialidade do dado. Podemos dizer que a paisagem existe fisicamente, numa determinada posição topológica, com coordenadas “exactas” ou relacionais, mas ao mesmo tempo que ela é apenas fundada num determinado momento relativo ao acto de observação, cujas condições, se alteradas, alteram também a própria paisagem. (Mais) 

29 de Agosto de 2014

Carnet de Portugal/Szkicownik portugalski. Cyril Pedrosa (Dupuis/Timof)

Carnet de Portugal é um pequeno livro de desenhos soltos, apontamentos de viagem, paisagens, pessoas, colhidos em Portugal pelo autor francês de descendência portuguesa, Cyril Pedrosa. A associação imediata deste pequeno volume com o livro Portugal é inevitável por toda uma série de frentes: editorialmente, ele é veiculado não apenas pela mesma editora mas na mesma colecção, a Aire Libre (a qual se tem gradualmente afastado de alguns dos valores que com se iniciara); autoralmente, por razões óbvias; em termos de obra, uma vez que haverá pelo menos a “desculpa” de que o trabalho de pesquisa (e vivência, se se seguir a veia autobiográfica) para Portugal se encontrará aqui. Além disso, uma vez que este volume é reproduzido no formato e materialidade típicas de um Moleskine sensivelmente do tamanho A5, procura mimar um determinado tipo de intimidade que apenas é possível ao termos acesso aos verdadeiros cadernos e blocos de desenho dos artistas. Não há propriamente introduções nem elementos paratextuais (a edição polaca utiliza um anexo de traduções, necessário, e que evita “poluir” as imagens em si, mas devemos vê-la como “externa”), portanto o mergulho é imediato. (Mais) 

23 de Agosto de 2014

The Portent, Ashes. Peter Bergting (Dark Horse)

A leitura e recepção do livro anterior de Bergting, Domovoi, foi feita com algumas expectativas e cumprida também na ignorância deste segundo livro. Se tivéssemos lido os dois livros e apenas depois escrevêssemos sobre eles, é certo que a estrutura dos nossos textos seria bem diferente. Pois se um livro esconde outro, como os comboios, quase sempre, e repetimos esta ideia, a leitura de um leva a que a leitura de outro seja executada de forma distinta. Tendo em conta a ordem da sua produção, e a sua leitura, todavia, o que ocorre em relação a The Portent é uma espécie de desilusão. (Mais) 

20 de Agosto de 2014

Domovoi. Peter Bergting (Dark Horse)

Este livro é uma aventura leve, envolvendo fantasia, uma literal fuga do mundo real, passagens por entre ingredientes clássicos da literatura infanto-juvenil, e uma abordagem artística e técnica totalmente devotada à legibilidade máxima. De certa forma, poderíamos dizer que não é “nada de novo”, mas essa asserção não é em si mesma suficiente enquanto leitura e muito menos como juízo de valor. (Mais) 

15 de Agosto de 2014

Les incrustacés. Rita Mercédès (L'Association)

O que acontece quando nos deparamos com um livro que se sente ser uma bateria de referências buriladas ao ponto de reviverem e cruzarem linhas de interpretação que se vão confundindo e obrigando a reler não apenas o texto em si mas toda a cultura que o permite? Uma outra metáfora seria a de uma pequena colónia de organismos, mais ou menos identificáveis na sua singularidade, mas que, agregados num mesmo espaço, acabam por se multiplicar e reproduzir entre si, criando mutantes que tanto conseguimos identificar como nos lançam em dúvidas... A única hipótese, de navegação, é tentarmos alguns dos mapas mais familiares, e esboçar uma rota, e esperar que possamos chegar a algum porto. É possível, porém, que os escolhos sejam demasiados e criem antes a ilusão de chegarmos a algum lado, quando na verdade estamos ainda perdidos. (Mais)