24 de maio de 2015

"Mester, Papel e Ofício", na colecção Abstrusa (Oficina do Cego)


Neste domingo solarengo, gostaríamos de anunciar - para os interessados - que a Oficina do Cego acaba de dar à luz um dos últimos pequenos volumes da colecção Abstrusa, Mester, Papel e Ofício. 

Trata-se de uma colecção de oito octetos octossílabos escritos numa linguagem de sabor antigo, gongóricos, talvez. As "ilustrações" são padrões de fundo tipográfico feitos por João "Papeleiro Louco" Sebastian.

A tiragem é de 51 exemplares e estará à venda no próximo fim-de-semana no Atelier Re.Al, integrado no encontro O que um livro pode, co-organizado pela Oficina. 

"Lançamento" oficial será daqui a umas semanas. 

23 de maio de 2015

Colaboração no du9. Here, de Richard McGuire.


Serve o presente post para indicar que está disponível no du9, em francês e inglês, um pequeno ensaio sobre Here, de Richard McGuire, o corolário em forma de livro de um projecto que o autor tem revisitado de vários modos desde 1989, nas páginas da 2ª edição da Raw.

Se a história curta se tornou rapidamente um dos mais altos expoentes da abertura conceptual da banda desenhada, admirada pelos mais diversos autores, a sua extensão enquanto um livro levanta várias outras questões, não sendo a menor até que ponto um "exercício" pode ser revisitado e transformado. Um livro a um só tempo simples e complexo, leve e denso, linear e multidimensional, Here é um daqueles livros que raramente rasga as fronteiras deste território.

Poderão aceder ao texto aqui. Aproveitem para ler a entrevista conduzida por Xavier Guibert. 

Agradecimentos a Benoît Crucifix, pela troca de ideias e a tradução paciente.

20 de maio de 2015

Fatale, Tony Chu, Saga. AAVV (G. Floy)

Uma vez que não acreditamos em causalidades simplistas (as quais implicam que o consumo de certas substâncias só poderá levar a uma sua escalada, que existe uma correlação entre o uso de um determinado tipo de jogos, livros ou música a um comportamento também determinado, etc.), mas antes numa fenomenologia social complexa que toma em conta os mais variados factores, num contexto sócio-económico, relacional, familiar, alargado, também não acreditamos numa necessidade de cadeias de leituras fechadas. Isto é, a chegada de um leitor a certos textos poderá advir dos mais variados quadrantes. Todavia, penso que não será muito errado imaginar que a existência de alguma variedade editorial num país, isto é, a fabricação de um “mercado”, poderá contribuir para uma consolidação da circulação de textos, leitores, e até mesmo recepção, crítica ou outra. (Mais) 

18 de maio de 2015

Comment naissent les araignées. Marion Laurent (Casterman)

A produção da Casterman é imparável, não se tratasse esta de uma das principais casas editoras da banda desenhada francófona, se não mesmo a mais importante editora belga da actualidade em termos de presença no mercado. No entanto, para que essa máquina esteja sempre alimentada, essa produção precisa de ser mais intensa e diversificada em quantidade, o que leva também a que nem todos os seus momentos sejam particularmente fortes. De quando em vez, porém, existem projectos que mesmo no interior dos seus territórios comerciais ou de negociação entre o alternativo e o genérico, o contemporâneo e o convencional, conseguem conquistar algum espaço crítico. É o caso deste volume de Marion Laurent, o seu primeiro livro longo a solo. (Mais) 

15 de maio de 2015

Outras Literaturas: Próximo Futuro é hoje.

Serve o presente post para recordar que a mesa-redonda que havíamos anunciado aqui, integrada no programa da Gulbenkian, e coordenado e moderada por este vosso criado, terá lugar hoje das 15h às 18h.

Uma oportunidade única para conhecer três autores bem distintos - (na foto: Marcelo D'Salete, Posy Simmonds e Anton Kannemeyer) -, mas todos eles com um trabalho interpelante no que diz respeito ao modo como a banda desenhada questiona a noção de identidade, e a sua integração social.

14 de maio de 2015

Cumbe no Próximo Futuro.

Serve o presente post para indicar aos interessados que a edição portuguesa de Cumbe, do artista brasileiro Marcelo D'Salete, estará amanhã à venda em estreia absoluta na Fundação Calouste Gulbenkian, com a presença do autor. (Mais)

12 de maio de 2015

Janus. Lala Albert (Breakdown Press)

Esta nova etapa de Lala Albert vai um pouco mais longe dos dois últimos títulos de que faláramos, mas ainda assim não podemos crer que a autora alguma vez deseje mergulhar nas águas confortáveis das narrativas convencionais. Na verdade, Janus permite fazer o exercício de apresentar uma sinopse que pareceria “natural”, quer na sua estrutura quer na psicologização das suas personagens, mas perder-se-ia certamente a tradução da sua ambientação aberta, as estranhas emoções e o permanente questionamento das suas linhas mais profundas. (Mais) 

11 de maio de 2015

Fanzines e outros animais.



Os fanzines estão de viva saúde e recomendam-se. A Feira Morta – tal como Festival de Beja e outros momentos - continua a ser um excelente ponto de partida e de encontro para a produção actual, e é curioso notar o surgimento de novos projectos quer de novos agentes quer de veteranos, mas onde a circulação tem o mesmo peso. Existem outros canais de distribuição destes objectos, é claro, sendo a correspondência um dos principais, mas estamos em crer que a organização de certames específicos leva as coisas a melhor porto. Remetendo a experiências anteriores neste espaço, faremos aqui algumas considerações sobre alguns títulos que nos chegaram às mãos, ora na Feira Morta, ora por outras vias. Diferentes entre si, criam também uma comunidade alargada que explicitará o que antes já expuséramos (há muito!) em “Um fanzine é…” (Mais) 

8 de maio de 2015

"Sem mutantes nem convervantes", no Buala.


Mais uma vez, gostaria de recordar os leitores do LerBD que na próxima Sexta-feira, pelas 15h, terá lugar uma mesa-redonda com alguns autores de banda desenhada internacionais.

Serve este post, porém, para partilhar o texto escrito para o jornal do Próximo Futuro, e que foi também publicado no site Buala. Fica aqui a ligação.

6 de maio de 2015

Moi, René Tardi, prisonnier de guerre au Stalag II B, Vols. 1 e 2. Jacques Tardi (Casterman)


Jacques Tardi é um dos autores que, nos anos 1970, ajudou ao desenvolvimento do que seria visto depois como a “veia literária” da banda desenhada. O seu trabalho teve, quase desde o início, contornos explicitamente políticos, de esquerda, em que procura estudar os fenómenos de injustiça, sobretudo aqueles que têm repercussões na construção da identidade nacional. Em parte, é isso o que justifica a sua particular atenção para com períodos precisos históricos da França. (Mais)